No ano de 2017 foi desenvolvida pesquisa com crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental na qual foram desenvolvidas atividades de literacia fílmica de acordo com metodologia baseada no Instituto Britânico de Filmes (2004), adaptada para a realidade Brasileira (ROSCOZ, 2017). Essa pesquisa apontou que as crianças apresentam avanços nos níveis de competências quando estimuladas e, por outro lado, que há necessidade de formação de professores nessa área. Com a divulgação do trabalho do LUME em eventos internacionais tivemos a oportunidade de contatar a Professora Raquel Pacheco da Universidade Autônoma de Lisboa que se interessou em realizar uma parceria para troca de experiências em relação ao desenvolvimento de uma literacia fílmica/ cinematográfica no âmbito português e brasileiro. O Cinema, desde seu surgimento no final do século XIX, modificou não só o modo como vemos o mundo – o olhar através da câmera – como também ampliou, de forma muito significativa, as possibilidades de se aprender com esse olhar. Ainda hoje, mais de um século depois, nos encantamos pela imagem em movimento, especialmente as crianças. As nossas crianças já nascem numa sociedade imersa nas imagens e precisam aprender a lidar com elas. Tanto no caso dos filmes, quanto dos vídeos que mostram cenas do cotidiano contemporâneo, a imagem em movimento assume um papel fundamental na formação dos indivíduos, pois é a partir dela que muitas vezes temos o primeiro contato com fatos históricos, conceitos científicos, temas diversos, que num determinado momento farão parte, direta ou indiretamente, de ensinamentos curriculares da escola. Aí reside um dos grandes potenciais educativos da imagem em movimento. Segundo, Costa (1995, p. 27), o cinema proporciona “uma nova percepção do mundo, mediatizada pelas formas mecanizadas de deslocamento, mas transformada em percepção visual com o auxílio direto do próprio cinema, única mídia capaz de reproduzir a sensação de velocidade”. Todas as mídias posteriores ao cinema, que têm na imagem em movimento, a sua principal característica, são resultantes do próprio processo que gerou a criação do cinema. Assim, quando falamos do vídeo, da televisão, dos games, entre outros, falamos também de uma forma de se fazer cinema, respeitadas as particularidades de cada linguagem. Quando o cinema evoluiu do registro da imagem para a criação de uma linguagem própria, alicerçada, segundo Setaro (2010), nos elementos que determinam a especificidade da linguagem fílmica: a planificação, os movimentos de câmera, a angulação e a montagem, este passou a ser um elemento poderoso de manipulação. Assim, o cinema se tornou um instrumento capaz de influenciar a opinião pública, instaurar hábitos e costumes, influenciar comportamentos, lançar a moda, publicizar acontecimentos, entre tantas outras possibilidades. O cinema tem uma dimensão que vai além da Arte ou da Indústria. Não é apenas mais um produto de consumo ou de entretenimento. Ele é uma linguagem que traz em sua essência o potencial educativo, um potencial que deve ser mediado, em especial quando um filme ou um vídeo é apresentado a uma plateia de crianças ou jovens em formação. Segundo Carrière (2006, p. 26), “num filme, a pausa se torna imperativa, o espaço se converte em tempo”. Nas palavras de Jean-Claude Carrière, podemos perceber que o cinema, assim como as mídias que dele advieram, são criações humanas impregnadas de intenções, ideologias, convicções. O cineclube se caracteriza por um espaço no qual se discute e assiste a filmes, sem caráter lucrativo e visa à formação de público bem como a “promoção da cultura audiovisual” e “da diversidade cultural” (Brasil, 2007). Nesse sentido, a criação de cineclubes no espaço escolar pode se tornar uma interessante estratégia de aproximação das crianças de produções de qualidade ao mesmo tempo em que oferece elementos de apropriação da linguagem fílmica/cinematográfica e de obtenção das primeiras noções críticas ajudando a desenvolver competências midiáticas relativas a essa mídia.
Propiciar a estudantes das áreas de licenciatura, professores de escolas públicas e profissionais recém formados, experiências acadêmico-profissionais e aprimoramento técnico-científico, para o desenvolvimento de competências midiáticas , relacionadas às experiências culturais de contato com produções audiovisuais de alunos oriundos de realidades diversas;
O presente Projeto resulta de ações desenvolvidas no âmbito do LUME – Laboratório e Núcleo de Estudos em Mídia e Educação da UEPG vinculadas às atividades realizadas no âmbito da Rede Ibero-americana de pesquisa em Competência Midiática que tem entre os seus objetivos empreender ações que colaborem para o crescimento dos níveis de competências midiáticas nos países membros. O projeto consiste na criação de cineclubes em escolas de educação infantil de Ponta Grossa e região, voltado para crianças da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. O projeto prevê a formação de acervo de vídeos nas escolas para a realização de atividades que visam ampliar o repertório audiovisual das crianças para além das ofertas comerciais, além de fornecer elementos de desenvolvimento de uma literacia fílmica/cinematográfica, contribuindo dessa forma para o desenvolvimento de suas competências midiáticas nas dimensões: linguagem, tecnologia, processos de interação, ideologia e valores, estética, produção e difusão (Ferrés e Piscitelli, 2012). Essas temáticas serão tratadas de acordo com a metodologia de aprendizagem dialógica como descrita por Braga, Gabassa e Mello (2010), fundamentada na dialogicidade de Paulo Freire e na Teoria da Ação Comunicativa de Habermas. Para o desenvolvimento das atividades o projeto contará com acadêmicos da área de licenciaturas como Pedagogia e Artes Visuais e História. Tendo em vista que o projeto se situa numa interface entre áreas diferentes mas correlatas da comunicação e educação, caracteriza-se como um processo interdisciplinar. Além disso, o projeto vincula-se ao projeto de extensão Equipas de investigação e dos meios disponibilizados pela unidade de investigação ou instituição parceira para a plena execução do plano de trabalhos, coordenado pela Profa. Dra. Raquel Pacheco de Mello Cunha, da Universidade Autônoma de Lisboa. A parceria se dará em termos de troca de experiências em relação aos objetivos comuns presentes nos dois projetos.
| Descrição Local | Cidade | CEP |
|---|---|---|
| Escola Municipal de Educação Infantil | Ponta Grossa | 84.051 900 |
| Centro Educacional Marista Santa Mônica | Ponta Grossa | 84016 658 |
| Colégio Marista Santa Mônica | Ponta Grossa | 84016658 |